DeclĂnio cognitivo e demĂȘncias
- 16 de ago. de 2023
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Os problemas mas comuns que vemos em consultĂłrio sĂŁo as perdas cognitivas relacionadas ao comprometimento da memĂłria. Com o processo de envelhecimento notamos uma menor prontidĂŁo da memĂłria, entrando a necessidade do atendimento com especialista em neurologia para identificar se a perda Ă© compatĂvel com demĂȘncia.
No idoso, o declĂnio cognitivo, tambĂ©m chamado de Comprometimento Cognitivo Leve (CCL) Ă© um quadro clĂnico que evidencia um conjunto de sinais acarretados por alteraçÔes de ordem cognitiva. Pode ser entendido como uma condição de transição entre a cognição normal e a demĂȘncia. Nesses casos, a avaliação mĂ©dica especializada Ă© fundamental para diferenciar o envelhecimento normal do patolĂłgico e tambĂ©m para o correto diagnĂłstico entre Comprometimento cognitivo leve e demĂȘncia.
Segundo o MinistĂ©rio da SaĂșde, a prevalĂȘncia de demĂȘncia na população com mais de 65 anos gira em torno de 7,1%, sendo a doença de Alzheimer, responsĂĄvel por 55% dos casos. Considerando a frequĂȘncia dessa condição no Brasil e o contingente de idosos em nosso paĂs, de aproximadamente 15 milhĂ”es de pessoas, estima-se que haja 1,2 milhĂŁo de brasileiros com sĂndromes demenciais.
No entanto, muitos idosos apresentam alteraçÔes muito leves, nĂŁo havendo, em alguns aspectos, diferença em relação aos indivĂduos mais jovens. O declĂnio cognitivo dificulta as atividades diĂĄrias, levando-se em conta variĂĄveis culturais e idade, sendo que essas anormalidades nĂŁo devem justificar o diagnĂłstico de demĂȘncia e outras causas fĂsicas e psiquiĂĄtricas, como depressĂŁo, devem ser descartadas.
DeclĂnio cognitivo e demĂȘncias nos jovens
Embora sempre pensemos em demĂȘncia como um problema de idosos, Ă© importante lembrar que existem doenças que podem causar demĂȘncia em adultos jovens. A perda cognitiva nos jovens estĂĄ mais associada a depressĂŁo, ansiedade, estresse excessivo, insĂŽnia e outros distĂșrbios do sono.
Mesmo o nĂșmero de jovens ser menor do que os idosos, as causas de demĂȘncia no jovem sĂŁo mais variadas, e, por esta razĂŁo, a investigação das demĂȘncias em jovens Ă© mais complexa.
O grande nĂșmero de possĂveis causas de demĂȘncia em jovens faz com que seja necessĂĄrio abordar este problema de modo organizado. O primeiro passo, antes de pensar em uma possĂvel causa, seria estabelecer o diagnĂłstico sindrĂŽmico de demĂȘncia. Isto Ă© feito a partir da histĂłria e da avaliação cognitiva, para averiguar se houve perda de habilidades.
Algumas perguntas pode ser feitas, como por exemplo:
- Vem tendo dificuldade no trabalho?
- Tem evitado contato social, como festas e reuniÔes?
- Abandonou passatempos como leitura e assistir televisĂŁo?
- Tem dificuldade em acompanhar conversas com vĂĄrias pessoas?
- NĂŁo consegue aprender coisas novas (como usar um novo aparelho eletrĂŽnico ou aprender uma nova rotina no trabalho)?
- Tem dificuldade em decidir o que fazer em uma situação de emergĂȘncia (como um vazamento de gĂĄs)?
Uma vez estabelecido o diagnĂłstico sindrĂŽmico de demĂȘncia, Ă© necessĂĄrio pesquisar a etiologia. A histĂłria e o padrĂŁo de alteraçÔes podem fornecer pistas valiosas, que tornarĂŁo a pesquisa complementar mais rĂĄpida.
Algumas das causas mais comuns de demĂȘncia em jovens:
Abuso de drogas: aqui não nos referimos apenas a drogas de adição, mas também a medicamentos, que podem ter alteraçÔes cognitivas como efeito colateral.
Contaminação ambiental e medicamentos: as causas possĂveis de demĂȘncia tendem a aumentar pela contĂnua introdução de novas drogas e por novas tĂ©cnicas industriais (intoxicação por chumbo, manganĂȘs e mercĂșrio, por exemplo).
InfecçÔes: esta causa de demĂȘncia Ă© mais frequente entre jovens. Isto ocorre pela associação entre alteraçÔes cognitivas e infecção pelo vĂrus da imuno-deficiĂȘncia humana (HIV).
Doenças neurolĂłgicas - doenças da infĂąncia, que podem eventualmente manifestar-se como demĂȘncia: um exemplo de doença com inĂcio na idade adulta Ă© a molĂ©stia de Huntington, alĂ©m de demĂȘncia relacionada Ă AIDS, no alcoolismo, e tireoidite de Hashimoto, na qual tambĂ©m podem ocorrer alteraçÔes cognitivas.
Sinais de alerta
Antes de tudo, é importante ter em mente que, no processo natural de envelhecimento, algumas queixas de mudanças cognitivas e comportamentais são normais, tais como esquecimento esporådico, alguma desorganização mental, maior lentidão para executar uma ação ou processar respostas.
Contudo, hĂĄ casos em que tais sinais se tornam mais intensos, podendo interferir nas atividades e na vida cotidiana do paciente. Isso pode indicar que estĂĄ havendo um prejuĂzo alĂ©m do normal ou do esperado conforme sua faixa etĂĄria.
Em um quadro de demĂȘncia, por exemplo, hĂĄ um grave comprometimento em suas funçÔes. No nĂvel cognitivo, pode haver dĂ©ficits de memĂłria, linguagem, atenção, raciocĂnio, julgamento, organização e planejamento.
No nĂvel comportamental, sĂŁo comuns prejuĂzos na capacidade de cuidados domĂ©sticos, atividades de compras, administração dos recursos financeiros e autocuidado. Assim, a pessoa passa a precisar de maior auxĂlio de familiares, vizinhos ou atĂ© mesmo de supervisĂŁo profissional.
JĂĄ nos quadros de declĂnio cognitivo, o paciente tambĂ©m apresenta alteraçÔes cognitivas, mas em grau leve, nĂŁo chegando a interferir (ou interferindo muito discretamente) em suas atividades cotidianas. Aqui Ă© necessĂĄrio observar que o quadro pode evoluir para um quadro de demĂȘncia.
A avaliação junto ao mĂ©dico neurologista Ă© fundamental em casos de declĂnio cognitivo em jovens e idosos. Exames neurolĂłgico e de imagem ajudam a identificar se as alteraçÔes cognitivas fazem parte do envelhecimento natural ou se sĂŁo patolĂłgicas. AlĂ©m disso, ajuda a identificar o diagnĂłstico de demĂȘncia para a definição do tratamento mais adequado ao caso do paciente.
Vale ressaltar ainda que, quando os sintomas sĂŁo tratados precocemente, Ă© possĂvel retardar doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer e o Parkinson.
Assim, em casos de declĂnio cognitivo, a avaliação de um especialista Ă© essencial para identificar condiçÔes potencialmente demenciais e, entĂŁo, buscar estratĂ©gias terapĂȘuticas para amenizar a progressĂŁo de demĂȘncias. VocĂȘ nĂŁo estĂĄ sozinho. Busque ajuda. A Dra. Natalia Camillo, neurologista, oferece consulta em trĂȘs modalidades: presencial, telemedicina e domiciliar.
Agende a consulta pelos telefones:
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